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A história do Homem-Pássaro

Foi em 1995, durante a viagem de ida ao JUCA, que surgiu o Homem Pássaro, mascote da Cásper Líbero até hoje. Mas ele foi "oficializado" durante uma das baladas promovidas pela galera, no alojamento.

Naquela época, a faculdade e o JUCA tinham outras proporções. Diferentemente do que aconteceu no último JUCA, o de 2006, em Registro, quando a Cásper levou mais de 1400 alunos, distribuídos em 24 ônibus. Pra se ter uma idéia em 95 a Cásper foi com apenas três ônibus.

Era o primeiro JUCA fora de São Paulo, na cidade de Piraju. E talvez todo o evento não tenha movimentado mais do que mil pessoas.

A Cásper não tinha mascote. Nem tampouco tinha a estrutura das outras participantes. Com um histórico de jogos universitários muito mais repleto, escolas como a ECA, Mack, Faap, etc, já "conheciam" o tipo de brincadeiras que se faziam nestes eventos. Tinhas mascotes, uniformes, gritos de guerra e afins.

Debutante, foi já em 1995 que a Cásper notabilizou-se por ser a mais criativa dentre todas as faculdades. Também pudera: "a necessidade é a mãe da invenção", e não seriam os alunos da Cásper Líbero que ficariam sem seus gritos e mascote. Pois, inventaram.

Na festa de "batizado do Homem Pássaro", aconteceu o seguinte. O aluno Ésdras Duarte viera no seu ônibus imitando o Homem Pássaro. O motivo é desconhecido, pois o próprio aluno não se lembra o que o levou a imitar o herói. Mas ficou gravado na memória dos participantes casperianos.

Na balada, absolutamente improvisada, a ponto de as "tinas" para a cerveja serem os mictórios - devidamente desinfetados - dos banheiros, novamente Ésdras começou a imitar o Homem Pássaro. Mas desta vez, de modo mais elaborado: sobre um armário do colégio/alojamento, com os braços abertos e para delírio - literalmente - dos alunos que de baixo acompanhavam. Ésdras era incentivado pelo tradicional "1, 2, 3..." enquanto executava sua apresentação.

Tudo caminhava nesse nível. "1, 2, 3, Homem Pássaro", até que Esdras resolveu incrementar a encenação. Percebendo que todos no alojamento acompanhavam a performance logo abaixo de si, no armário, o criador do Homem Pássaro, ao final da contagem, na hora do grito, saltou sobre a galera. O que em shows de Rock'n Roll chama-se "mosh".

Pronto. Estavam definitivamente instituídos o grito e o mascote, que foram logo absorvidos e reproduzidos nos dias seguintes de jogos. Como a Cásper saiu cedo da competição - mas como ninguém tinha muito o que fazer que não se divertir no ginásio -, mesmo sem jogar, o Homem Pássaro foi "apresentado" às demais faculdades, diante das quais marca presença até hoje.

Em 1996, o Homem Pássaro já se tornara o grande símbolo dos Casperianos. E no JUCA, novamente em Piraju - a cidade sediou o evento entre 1995 e 1998 -, fez sucesso não somente os gritos da galera, mas também estampado no primeiro bandeirão da Cásper Líbero e no brasão idealizado pela Atlética e pelo CA da época.

As primeiras iniciativas de encarnar o nosso herói apareceram neste ano de 1996. Alguns alunos se arriscavam a entrar em quadra correndo com os braços abertos, em alusão aos vôos do personagem. Claro, isso antes da bola rolar ou depois de um jogo acabar.

Mas a primeira produção de figurino do Homem Pássaro viria em 1997, por Meio do aluno David Mazitelli. Em completo segredo, David alugou em São Paulo uma fantasia do Homem Pássaro e levou para Piraju. A estréia da fantasia teria que ser triunfal. Para isso, David avisou somente seu amigo Marco (Jair) Antonio sobre a surpresa, pois não poderia dirigir até o ginásio vestido de Homem Pássaro e queria causar impacto.

Era quinta-feira à tarde, primeiro dia de jogos, e o futsal masculino iria fazer sua estréia. Com o ginásio lotado, a Cásper, com sua bateria de alunos, dominava o boteco ao lado da quadra, à espera do horário do jogo.

No começo da subida que levava à quadra, a uns setenta metros do ginásio, notou-se um pequeno buzinaço e uma aglomeração de pessoas que apontavam e riam de algo dentro de um carro verde. O número de pessoas aumentava à medida que o carro se aproximava do ginásio. Aos poucos, percebeu-se que se tratava de algo relacionado com a Cásper, pois somente camisetas vermelhas rodeavam o tal veículo.

Já a bem poucos metros do boteco, ninguém mais andava na rua. Era só dedos apontando, gente comentando e todos rindo muito. Era David, ou melhor, o Homem Pássaro, que, de dentro do carro, acenava às pessoas do lado de fora.

Quando o trânsito parou por completo, nosso herói desceu do carro e deu seu primeiro vôo fantasiado, para delírio geral dos casperianos, que entoaram o já famoso "1, 2, 3..." e também o samba-enredo composto naquele ano, pelo aluno Umberto Serpieri - samba ensaiado e entoado até hoje e com sua letra na íntegra, impressa na AAA.

"Lalaiá, lalaiá, laia
o Homem Pássaro abre asas pra voar
ôô ôô ôô
é a galera da Cásper que "liberô"

Este é o refrão do samba. Mais do que apropriado para aquela ocasião. Pois, naquele ano o Homem Pássaro abriu asas pela primeira vez para ficar eternizado, não somente na história da Cásper e dos casperianos, mas também na memória de todos os que um dia participaram do JUCA.

Em 1998, a história se repetiu. David, agora sem surpresas para a galera, levou de novo a fantasia. O sucesso foi o mesmo, talvez até maior, uma vez que a Atlética havia feito uma tremenda produção para aquele ano.

Em 1999, nosso mascote mudou de cara. Vários alunos mandaram desenhos num concurso organizado pela Atlética e Leandro Barros ganhou e definiu o novo perfil do nosso herói.

Renato Rocha, mais conhecido como Rochinha, que havia se formado no ano anterior, assumiu o papel do personagem a partir de então. Vestindo a nova roupa, o simpático gordinho se vestiu de Homem Pássaro nos Jucas e nas festas até o ano passado. Em 2001 surgiu outra novidade. Nosso herói andava meio triste e sozinho.

Por idéia das Barra Bravas, torcida organizada apenas por garotas, surgiu a Mulher Pássaro. Andrezza de Assis, aluna do terceiro ano de publicidade, assumiu o papel da nova heroína e fez muito sucesso no Juca 2001.

Desde o surgimento do Homem Pássaro, não houve mais como não associar a imagem do nosso herói à Cásper. Qualquer produção envolvendo a Cásper que não leve em consideração a presença do nosso herói, estará fadada ao fracasso.

Pois ele é o Homem Pássaro. O nosso herói, presente em todos os lugares em que há casperianos. Pode procurar para ver.

 

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