A Aguante
A Aguante Rojo não é apenas uma organizada, é uma Barrabrava. Nossa torcida nasceu da vontade de apoiar o time dentro de campo todo o tempo, todo jogo. Não importa quanto barulho vamos fazer, nós vamos fazer o nosso barulho. Nosso jogadores vão saber que estamos ali por eles. Eles estão ali por nós, perdendo ou ganhando, eles representam nossas cores.
A tradição de organizadas não é nova na Cásper. Nos tempos da libertinagem de pontos, os Hooligans eram o tempero que desandava a massa comandada e cozinhada pelo Homem Pássaro. Com a idade, os Hooligans deixaram aos poucos de frequentar os eventos e quem ficou cuidando da arquibancada (e da sarjeta) foram alguns agregados e membros ativos da Bateria da Cásper (a eterna campeã do JUCA).
A gestação
2007, o ano em que foi introduzido definitivamente o grito "Só eu sei porque eu não fico em casa", um presente dos Ultras portugueses que vieram na comitiva do Bruno Aleixo. Também o ano de redenção. Sem os pontos perdidos das edições anteriores, e com um empurrãozinho do destino, a Cásper foi até o último jogo do domingo com a chance de tomar o título dos corneteiros e buscar a taça empoeirada na Maria Antônia. Mas não deu pé, as asas cansadas e embriagadas dos milhares de homens e mulheres-pássaro não foram suficientes para subir no bloqueio e nossas lágrimas molharam as surradas bandeiras. Até o Gigante Guerreiro Pássaro, o megazord casperiano, se abalou e voltou no fundo de um ônibus jurando vingança.
Em 2008 a faísca de uma mudança começou a surgir. Guarda chuvas, caras pintada, faixas clássicas e faixas novas. O segundo lugar ficou entalado. "Tienes que salir campeón, este es el año!", diziam os amigos da Guardia Imperial, que apesar do ódio aos rubros Independientes, cantavam no nosso carnaval. As jacuzzis do alojamento, o molejo dos atletas e torcedores, o café da manhã rico em carboidratos... Tudo andando bem, não fosse um pênalti perdido no primeiro dia. Toda seleção campeã já teve o seu Baggio, não é mesmo? Mas teve futsal, teve hand, natação, em suma: TEVE FESTA NA FAVELA. O ricivimento histórico com infinitos rolos de papel e uma final tensa nos ensinaram que o sentimento era grande demais para desistirmos mesmo quando já era uma loucura seguir gritando. O sentimento que passou por cima de tudo, e que pôde ouvir no cangote o coro dos afônicos. Doença, loucura, paixão... Tantos nomes para um sentimento enrubescido.
O nascimento
A Bombonera casperiana no sexto andar da Paulista 900 não parou. Até 2009 estaria tudo armado. Letras, músicas, fardas, e um novo presente dos velhos amigos portugueses. Quando ouviram as histórias da recém-criada AGUANTE ROJO, mandaram direto de Lisboa uma caixa de cachecóis. Parece que os patrícios sabiam da temperatura em Sta. Rita do Sapucaí. Parece até que sabiam o peso de sair de São Paulo. \'Só eu sei porque não fico em casa\' aquecendo os gogós dos mesmos casperianos que em 2007 cantaram fado em roda de pagode.
O estrago estava feito, a Barrabrava tinha dominado a alma blanquiroja. Na entrada da cervejada pré-JUCA os trapos avisavam: JUCA do AMOR. O amor é vermelho e não há como negar. Nosso coração é vermelho, o sangue que corre nas nossas veias é vermelho. Dizem que há aqueles que até os olhos são vermelhos, e para esses a bandeira de Amsterdam, ao lado da dinamarquesa, estava pendurada no teto. Em algum lugar no meio do céu de bandeiras e faixas em que o sol se pôs na Barra-Funda. E assim que ele se põe e a Bateria chama na batida do timbau, o fogo do inferno casperiano vem para iluminar os caminhos.
A festa
Frio, chuva, lama. A Liga que nos tirou a cerveja do alojamento. Esquece isso, bixo, esquece isso bixete. Presta atenção: "Vê se aprende contrário, torcida é coração! Quem não canta não ganha, nunca vai sair campeão". E foi assim que nós, casperianos fora de campo, apoiamos e acreditamos. Todo o tempo, todos os jogos. Vivos ou mortos, a Aguante esteve lá. Nos prédios da cidade, no campo, no G1, G2 e quantos G tiver. Os carrinhos, os passes, os bloqueios, as defesas, os gols... Ah, os gols! Avalanche de emoção. O que era uma derrota prevista virou o incentivo que aqueceu torcedores na fatídica manhã mineira. Pênaltis, e com eles o fantasma de 2008 estava de volta. Depois de todo o sacrifício, depois de cara gole, de cada trago. Mas que festa, que carnaval... ¡Que quilombo hicimos, pelotudo! Não tinha como negar. Nem a maior maldição pirata nos tiraria esse título (mesmo sabendo que os papagaios nos ombros tinham bastante rum para os pernas-de-pau que ficam na arquibancada cantando e pilhando). Aí era só alegria, a aula estava dada. "CHUPA", em letras garrafais na única bandeira negra. E como fica bem de sutiã e lacinho, né?
O futuro
Sentimento, alento, hinchada. Seguimos, apoiamos, cobramos, conhecemos os nossos atletas. Bebemos com eles. Dormimos com eles. Todos os dias, é o sentimento de ser casperiano que move nossas asas. E a Barra não para, "Yo te sigo a toda parte", dizem os aguantinos. No ABC, na Bombonera casperiana, na Santa Casa, e mesmo quando tivemos que deixar o vermelho de lado para homenagear a marquesa.
Vamos atrás de nossos jogadores mais uma vez em busca da festa de sempre. A tribuna, a bebida, o sexo, o sol, o frio, a dor de garganta, a ressaca curada com cerveja e sucrilhos. E vamos buscar algo mais. O detalhe gigante.


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